
Somos homens que vivem
No eterno momento que precede a guilhotina
Por medo de perder a cabeça
Deixamos que ela voe para longe do corpo
É estreito o corredor
Que me envolve rumo ao céu
Mal posso abrir as asas
Solta, iria à chama da Terra
Para flanar, possuo apenas
A imaginação
E o leve impulso de seres invisíveis
Subo e desço, vivendo entre paredes
O tropeço é meu jantar à luz de velas
Em que me alimento
Sem saber do gosto das queimaduras
Meu corredor jamais será labirinto
Meu corredor jamais será selva
Embora, às vezes, para mim
Eu ainda minta