sábado, 20 de novembro de 2010

Livro e espetáculo-poesia "Coisas da atriz"

espetáculo-poesia
"coisas da atriz"
pré-estreia
26 de novembro, sexta, às 20h30
casa de cultura
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temporada
quintas e sextas, às 20h30
até 17 de dezembro
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livro de poesias
"coisas da atriz"
lançamento
26 de novembro, sexta, às 20h30
casa de cultura


segunda-feira, 3 de maio de 2010

Pobre rima


De mim,
o que quer?

Nada pode levar

Sou atriz
assim serei

Tire a máscara
e veja outra em seu lugar

Arranque a roupa
e sinta a pele me moldar

Apague a luz
e ouça o escuro ao luar

Destrua o palco
e saiba do céu a sustentar

Sou atriz
assim serei

Não espere, mundo,
Mulher apenas me embalar

quinta-feira, 4 de março de 2010

Carnaval

:: "Todo Carnaval tem seu fim, já disse Camelo. ::

Em fevereiro chovia doce
Talvez fosse um sinal
E hoje, mesmo sendo dezembro
Dentro de mim, azedo Carnaval

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Domingo


Nublou enquanto dormia
Sono seco de sol
Pálpebras amarelas
Incapazes de tecer a noite

Depois do vidro, a praça
Crianças gritos
Sorvedouro
Vigília contumaz

Se ela pudesse repousar
Escolheria o céu

Céu já não há
Escorre no seio das gotas
Chuva

E o domingo finda

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Artistas


Somos homens que vivem
No eterno momento que precede a guilhotina
Por medo de perder a cabeça
Deixamos que ela voe para longe do corpo

sábado, 20 de junho de 2009

O médico e o presidente


:: Feliz. É bom comparar passado e presente. ::

Fui ao médico homeopata hoje. E agora, sinto-me história.

Profunda e hermética, às vezes. Rasa e mineira, quase sempre. A questão é que hoje sou história. Sempre fui, eu acho. Uma história que poderia ser escrita com cheiros, músicas, imagens e lágrimas.

Nesse momento, sou o umbigo do mundo de mim mesma. Aquele umbigo que meu amigo mestre da fuga apelidou de a marca do "está pronto". Mas eu não estou pronta. E, por isso, sou o umbigo mais mentiroso que já existiu. Afinal, sou história. Imortal, transformadora e arquejante. As minhas certezas do dia são as dúvidas da noite. O sonho questiona a vigília. Sou história.

Tancredo também é história e, posso garantir, enquanto fofocava com o mordomo - minha posse é coisa certa! - foi possuído pelos braços da morte. Sua glória, talvez. Sou Tancredo, então. Quando quero abandonar e em seguida amo a companhia dos cachos. Quando quero fugir e logo depois crio uma lista precisa das ações necessárias para ficar. Sou Tancredo. Deslizo pelas vicissitudes, balanço nas várias direções do mar. Sinto-me páginas, mais do que nunca.

Bem, acho que vou fazer meu floral na farmácia mais próxima.

Gaveta de lágrimas


:: Direto do estranho ano de 2005. Enfim, o tempo passou. ::

Quando tudo parece irreal, e o meu lugar foge de casa, eu liberto algumas lágrimas velhas que insistem em se internar no meu corpo-hospício. Digo a elas que estão curadas, pois longe dos meus olhos o sal vira sanidade e distante do meu rosto a água vira santidade. Eu grito: líquido ancião, evapore! E já nesse momento, sinto a corrosão da inveja. Sonho com o calor que me faria evaporar, mas continuo louca e concreta, esperando o real me engolir. Dentro de mim, o lago de dores inefáveis vai se acalmando em absurdos para que tudo pareça normal. E o meu lugar, enfim, me pede perdão. Até a próxima fuga.