:: "Todo Carnaval tem seu fim, já disse Camelo. ::
Em fevereiro chovia doce
Talvez fosse um sinal
E hoje, mesmo sendo dezembro
Dentro de mim, azedo Carnaval
quinta-feira, 4 de março de 2010
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Domingo
Nublou enquanto dormia
Sono seco de sol
Pálpebras amarelas
Incapazes de tecer a noite
Depois do vidro, a praça
Crianças gritos
Sorvedouro
Vigília contumaz
Se ela pudesse repousar
Escolheria o céu
Céu já não há
Escorre no seio das gotas
Chuva
E o domingo finda
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Artistas
sábado, 20 de junho de 2009
O médico e o presidente
:: Feliz. É bom comparar passado e presente. ::
Fui ao médico homeopata hoje. E agora, sinto-me história.
Profunda e hermética, às vezes. Rasa e mineira, quase sempre. A questão é que hoje sou história. Sempre fui, eu acho. Uma história que poderia ser escrita com cheiros, músicas, imagens e lágrimas.
Nesse momento, sou o umbigo do mundo de mim mesma. Aquele umbigo que meu amigo mestre da fuga apelidou de a marca do "está pronto". Mas eu não estou pronta. E, por isso, sou o umbigo mais mentiroso que já existiu. Afinal, sou história. Imortal, transformadora e arquejante. As minhas certezas do dia são as dúvidas da noite. O sonho questiona a vigília. Sou história.
Tancredo também é história e, posso garantir, enquanto fofocava com o mordomo - minha posse é coisa certa! - foi possuído pelos braços da morte. Sua glória, talvez. Sou Tancredo, então. Quando quero abandonar e em seguida amo a companhia dos cachos. Quando quero fugir e logo depois crio uma lista precisa das ações necessárias para ficar. Sou Tancredo. Deslizo pelas vicissitudes, balanço nas várias direções do mar. Sinto-me páginas, mais do que nunca.
Bem, acho que vou fazer meu floral na farmácia mais próxima.
Gaveta de lágrimas
:: Direto do estranho ano de 2005. Enfim, o tempo passou. ::
Quando tudo parece irreal, e o meu lugar foge de casa, eu liberto algumas lágrimas velhas que insistem em se internar no meu corpo-hospício. Digo a elas que estão curadas, pois longe dos meus olhos o sal vira sanidade e distante do meu rosto a água vira santidade. Eu grito: líquido ancião, evapore! E já nesse momento, sinto a corrosão da inveja. Sonho com o calor que me faria evaporar, mas continuo louca e concreta, esperando o real me engolir. Dentro de mim, o lago de dores inefáveis vai se acalmando em absurdos para que tudo pareça normal. E o meu lugar, enfim, me pede perdão. Até a próxima fuga.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
A equilibrista
Num é pussive que uma coisa assim
Se acunteça pra mais de cem veis
Sem que na cabeça dura duma equilibrista
Num entre um quezinho siqué de equilibrismo
Se a arteira sabe inté amestrá corda pindurada no céu
Que santo num vai ajudá a coitadinha a amestrá gênio ruim?
É bem certo que o tombo no circo é de ardência inferior
Modiquê as queda da vida rumam pra buraco mais fundo
(Daqueles que cabe toda a água de mar
Se ele existisse nessas banda seca de sal
E toda água de rio
Se ele vivesse nesses lado pobre de leito)
O mais danado é que a equilibrista
Não carece de comida boa ou cama quente
Muito lhe deu Nosso Senhor Seja Louvado
Mas a amargura dos homi só adoça com maidemil quilo de açúcar
Lá no alto do trapézio, diz ela, nem vóis, nem palma
Nem pedido, nem amô pode chegá
Se é assim, é só a disubidiente esticá as mão
E pedi auxílio do Divino
Inveis de fechá os óio pra se espiá a si própria mais de perto
E perdê toda a beleza que pipoca na lona cheia de cô
Casa nova
Nos meus porões, eu guardo
O caminho que me distancia de Ti
Sob meus pés, porém, eu revelo
Pesadas pedras que tiro do peito
Delas faço trilha, berço - e me embalo
Sentindo Seu toque sobre as pálpebras
Então, diante de mim, eu Te vejo
Mesmo que as minhas feridas
Ainda me ceguem um pouco
Por isso, peço, Senhor
Limpe comigo o quarto escuro
Faça de mim arquiteto do seu amor
Ajude-me a perceber nova chama
Sopre para longe a poeira e o temor
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